• Diálogos Desenhados. Matéria Jornal O HOJE (Goiânia).

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DIÁLOGOS DESENHADOS
Mostra de artistas goianos em Uberlândia discute a importância do desenho para a arte contemporânea

CLENON FERREIRA
(matéria publicada no jornal o HOJE de 11/05/2013)

Com a proposta de apresentar o trabalho de artistas residentes em Goiás, a partir de hoje, os uberlandenses poderão conferir a exposição Diálogo Desenho, às 10h, no Museu Universitário de Arte (MunA). Trata-se de uma reunião de artistas que se configuram pela capacidade de suas obras discutirem a importância do desenho na arte contemporânea.

A mostra é cadastrada como projeto de extensão da Faculdade de Artes Visuais (FAV), da Universidade Federal de Goiás (UFG), e coordenada pelo artista Glayson Arcanjo. A exposição promove a circulação das obras por outras universidades e regiões do País. Além de Uberlândia, a mostra também será exposta em Jataí, prevista para agosto deste ano.

Para a escolha dos artistas, Arcanjo resolveu desenvolver um mosaico de trabalhos que discutem o desenho sob suas diversas nuances artísticas. Dessa forma, ao lado de trabalhos de alunos de graduação e pós-graduação dos cursos de Artes Visuais, há também obras de professores da FAV, juntamente com artistas autodidatas de Goiânia.

São ao todo nove artistas e um coletivo escolhidos para levar suas obras para Uberlândia: Anna Behatriz Azevedo, Enauro de Castro, Evandro Soares, Helo Sanvoy, Luiz Mauro, Paul Setubal, Rava Monique, Yara Pina, o próprio Arcanjo e o Grupo Empreza. De acordo com o coordenador, uma das propostas mais interessantes da Diálogo Desenho é o colorido mosaico formado pelas obras.

“Ao mesmo tempo em que há artistas que produzem desenhos no papel, existem aqueles que utilizam o suporte audiovisual para dar abrangência à arte contemporânea. É muito importante que artistas com olhares diversos possam estar juntos em uma exposição. Para o espectador, é muito melhor que tenham inúmeras linguagens”, diz Arcanjo.

De diferentes gerações e com produções bem diversas entre si, os artistas têm em comum o fato de serem nascidos ou de terem se deslocado durante suas trajetórias para Goiás, onde atualmente residem. É por isso que, durante a curadoria, Arcanjo ficou impressionado com tamanha riqueza e diversidade das produções apresentadas.

Ainda assim, não coube ao coordenador eleger um único trabalho que se configurasse em determinada categoria da arte. “É impossível afirmar, com todas as letras, que isto ou aquilo seja um desenho. Não ficamos ancorados em definições. O que fizemos foi tornar possíveis as variadas formas de linguagem”, explica.

Com a escolha dos artistas, Arcanjo separou algumas palavras que ajudaram a nortear as escolhas feitas para as produções, que se fixam entre o desenho, corpo, violência, texto, jogo e espaço. Para hoje, durante a abertura, o grupo Empreza fará uma performance na galeria e logo depois haverá um bate-papo com todos os artistas envolvidos.



Entre pinturas, bordados e vídeos

Um dos trabalhos que ilustram a mostra é o da goianiense Rava Monique, que apresenta obras que se dividem entre o papel e o bordado. Formada em Artes Visuais pela FAV, desde 2008 ela trabalha com produção artística. Dessa vez, para a exposição Diálogo Desenho, ela analisa a dimensão de suportes que o desenho pode abranger.

Dois trabalhos de diferentes propostas. O primeiro trata-se de um díptico (objeto que possui dois lados planos ligados entre si), em que usa como suporte o papel. “Trago a ideia de traço e linha no desenho de uma forma diferente. Neste trabalho os traços são desenhados em forma de pequenos rabiscos, e as linhas (de costura) são coladas sobre a superfície do papel”, explica.

Já o segundo trabalho se resume em três bordados sobre sacolas de plástico. Desde 2008, Rava tem trabalhado com estes materiais. “Os bordados eu já havia realizado, mas o desenho com linhas sobre papel é inédito para esta exposição”, conta a artista.

Se o desenho é o que determina a essência da exposição, para Rava, é uma das linguagens artísticas mais importantes da atualidade. “Para tudo se tem o desenho, às vezes para fazer uma pintura, primeiramente se faz um esboço em desenho”, reflete.

E não é somente ela que pensa assim. Para Ana Behatriz Azevedo, o desenho pode fazer muito mais que dialogar com outras linguagens. “É possível que diferentes linguagens também conversem com o desenho”, reflete. Além disso, segundo ela, o desenho tem uma característica interessante que é o imediatismo, dando margens para abranger outras produções artísticas, como o vídeo, a pintura, o bordado ou a colagem.

Para a exposição, Anna Behatriz apresenta o vídeo Suspiro em Suspensão III, que possui características formais que dialogam com as questões da linguagem do desenho. O trabalho já havia sido apresentado no Atelier Labiríntimos, em Goiânia. Foi dessa forma que Arcanjo o percebeu e convidou a artista plástica para apresentá-lo.

Diferente do original, dessa vez, o vídeo será exibido em uma tevê. Anna Behatriz explica que seu desenho trata das temáticas do frágil e do efêmero. Para isso, decidiu trabalhar com o audiovisual, criando uma videoarte. “É uma situação de desenho permeando a ideia de passagem. O desenho pode ser passagem para outra situação estética”, reitera a artista plástica.

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